8 de junho de 2015

Consumo inocente


É perceptível o consumo desenfreado como decorrência do sistema capitalista seguido do estímulo da mídia em prol da publicidade, que enganam ou induzem o consumidor a adquirir um produto ou serviço com a premissa de satisfazê-lo plenamente. Muito se fala nos anúncios publicitários voltados aos adultos, mas e às crianças, que ficam expostas às mensagens sociais que a televisão e outros meios de comunicação trazem? 

As agências de publicidade e propaganda são responsáveis pela criação de comerciais, desde o surgimento do marketing no Brasil nos anos 50. Já nos idos dos anos 80, a publicidade infantil começou a ser realmente massiva. De lá para cá, houve mudanças significativas na persuasão da propaganda dirigida ao público infantil, acompanhadas de melhorias nas táticas para levar menores à corrida pela aquisição - o brinquedo que ontem foi comprado, hoje parece não ter mais graça, tornou-se obsoleto em relação à versão atualizada. 

É preciso se atentar aos prejuízos psicológicos que a propaganda em países onde não há proibição total ou parcial, principalmente com crianças e jovens em desenvolvimento emocional e intelectual, pois estão em fase de formação do que é moralmente ou não aceito quando imposto: compre, troque e ganhe. No Brasil, nos Estados Unidos e na Austrália não há leis nacionais, o setor cria normas e faz acordos com o governo. Na França e no Chile, as mensagens recomendam consumo moderado e alimentação saudável. Os comerciais são proibidos em certos horários ou para determinadas faixas etárias em países como Itália, Irlanda, Reino Unido, Chile, Bélgica, Dinamarca e Coreia do Sul. No Reino Unido e na Suécia, personagens famosos de desenhos animados, como o Mickey Mouse, não podem aparecer em anúncios de alimentos infantis. Não é permitido nenhum tipo de publicidade para crianças no Québec e na Noruega.

O consumo consome-te, literalmente, já que a busca exagerada pelo "ter" acarreta na formação de crianças e adolescentes que não sabem ouvir justos e firmes "nãos". Para coibir a publicidade irregular e as consequentes compras desenfreadas, o simples se torna fundamental: deve-se educar consumidores mirins para que sejam adultos conscientes de suas reais necessidades no futuro. A iniciativa do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) em parceria com o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar), a fim de dar brevidade à resolução que considera abusiva a publicidade infantil, assegura uma forma eficaz na prevenção e controle imediato dos apelos estratégicos do marketing infantil.

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